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#rostosestesc: Vitor Mendes

 "No final da licenciatura, sentia-me apto a poder iniciar a minha atividade em qualquer área do nosso curso"

 

 

Nome: Vítor Mendes;
Licenciatura: Cardiopneumologia (2010) e Mestrado: Cardiopneumologia - Esp. em Arritmologia Aplicada (2015);
Situação Profissional: Perfusionista Clínico (resonsável adjunto) no Centre Hospitalier et Universitaire du Vaudois (CHUV), em Lausanne (Suiça)

 

- Como surgiu a oportunidade de trabalhar fora de Portugal?
Após terminar a minha licenciatura comecei a trabalhar como Cardiopneumologista e iniciei a minha especialização como Perfusionista, no Centro de Cirurgia Cardiotorácica de Coimbra. Em 2014, para concluir a minha especialização, realizei o exame do European Board of Cardiovascular Perfusion (EBCP). A partir desse momento, ficou muito mais fácil poder exercer funções na Europa. Em 2015, defendi a minha dissertação de mestrado, e comecei nesse mesmo ano a colaborar com a ESTeSC como monitor de estágio, co-orientador de pojetos de licenciatura e elemento de júri nas defesas públicas para obtenção do grau de licenciado. A nível profissional tudo corria bem, era respeitado pelo meu saber... Mas o reconhecimento pela sociedade e governantes não se fazia sentir. Para mim era inconcebível ganhar o mesmo salário até à minha reforma (devido ao congelamento das carreiras na altura). Alicerçado a isso, também não digeria muito bem o facto de outros profissionais (nomeadamente enfermeiros, médicos internos), usufruírem de um salário mais alto que o dos perfusionistas quando, nos primeiros anos de profissão, esses profissionais também eram formados por nós. Tudo isso levou a que repensasse o meu futuro. Em 2016 surgiu a oportunidade de vir trabalhar para a Suiça, em Lausanne. Na altura os critérios para admissão eram: ser perfusionista sénior (reconhecido pelo EBCP), ter atividade científica produzida, fluência na língua francesa e um nível, pelo menos, intermédio da língua inglesa. Como reunia todos os critérios, fui selecionado. Atualmente sou "Deputy Leader" (responsável adjunto) do meu grupo profissional.

- Quais as principais diferenças que encontra entre a realidade profissional portuguesa e a realidade suíssa?
Existem muitas diferenças. Relativamente ao que é produzido, a gestão dos recursos existentes era mais fina em Portugal. Ou seja, com menos recursos, conseguíamos produzir mais e com mais qualidade. Aqui na Suiça não existe falta de recursos materiais. O material é topo de gama, e sempre de última geração. Contudo, não se produz com melhor qualidade comparativamente a Portugal.
Quanto às condições de trabalho, tratando-se de um país economicamente mais poderoso, o salário é mais alto. No entanto, a grande diferença está na distinção de salário existente entre as diferentes classes profissionais. Passo a explicar: no início da carreira, o salário de uma assistente operacional não é muito inferior ao salário de um médico recém-licenciado. As diferenças surgem com o passar dos anos, onde o aumento salarial anual é mais significativo nos médicos do que nos assistentes operacionais. Assim, quando vim para cá, sendo eu Perfusionista Senior Especialista, usufrui de um salário mais alto que um enfermeiro ou médico interno. O que, na minha opinião, é o mais justo vista a responsabilidade. É importante dizer que os salários são altos, o que permite a todo o tipo de pessoas ter uma vida digna.

- Como tem sido enfrentar o desafio da Covid-19 no seu contexto de trabalho?
Apesar de atualmente a situação estar controlada, o início da pandemia foi um pouco penoso. A atividade eletiva do bloco operatório foi reduzida. Transformámos metade das salas operatórias em unidades de cuidados intensivos para Covid positivos. Colocámos seis ECMOs (Oxigenação por Membrana Extracorporal) desde o início do surto e tivemos, no pico do surto, cerca de 300 pacientes internados no nosso hospital. Atualmente já retomámos a atividade eletiva. Desde o início do surto, foi instituído o uso obrigatório da máscara em todo o recinto hospitalar, contudo na rua não é obrigatório. Não se instituíram políticas de confinamento tão severas como em Portugal, mas, de um modo geral, todos os comércios de bens não essenciais ficaram fechados. Os comércios de bens essenciais limitam o número de pessoas nos seus estabelecimentos.

- Qual o contributo da ESTeSC para o seu percurso profissional?
A ESTeSC contribuiu muito para o meu percurso profissional. Primeiro, porque foi a ESTeSC que me conferiu o título de licenciado e mestre. Segundo, porque fui mantendo um contacto estreito com o corpo docente do curso – particularmente com o Professor Hélder Santos (também ele Perfusionista em tempos) que, mesmo após a licenciatura, sempre se mostrou disponível e me aconselhou sobre as melhores condutas a seguir face a situações clínicas particulares, e com o Professor Telmo Pereira, que também me apoiou, na vertente clínica e de investigação. Realizar a licenciatura na ESTeSC permitiu-me ter um grande contacto com todas as áreas da profissão. No final da licenciatura, sentia-me apto a poder iniciar a minha atividade em qualquer área do nosso curso. Tive a sorte de poder ter uma formação teórica de topo, com uma componente prática de excelência. Reunidas estas condições, tive tudo ao meu alcance para poder evoluir profissionalmente. 

 

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